Leilão de petróleo e gás da ANP arrecada R$ 8 bilhões em bônus e bate novo recorde

Foram arrematados 22 dos 47 blocos marítimos leiloados. Por decisão do TCU, os dois mais valiosos foram tirados de oferta na véspera do leilão. Último recorde nas rodadas de concessão tinha sido de R$ 3,8 bilhões.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) arrecadou até agora R$ 8 bilhões em bônus com o leilão de 22 blocos marítimos de exploração de óleo e gás nesta segunda-feira (29), e bateu um novo recorde nas rodadas de concessões (veja mais abaixo os blocos arrematados).

Segundo a ANP, o ágio foi de 621%. No total, 47 blocos marítimos foram ofertados. Os 25 restantes foram para a repescagem, mas novamente não houve interessados.

Foram ofertados outros 21 blocos terrestres. No entanto, nenhuma empresa realizou oferta por eles.

Com isso, dos 68 blocos ofertados pela ANP, incluindo marítmos e terrestres, 22 foram arrematados, o que corresponde a 36% do total.

O valor arrecadado até poderia ter sido maior. Na véspera do leilão, decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) tirou da oferta os dois blocos mais valiosos, que representariam 80% da arrecadação desta rodada. Localizados na Bacia de Santos, os blocos S-M-534 e o S-M-645 estão adjacentes à área do pré-sal e, somados, tinha lance inicial de R$ 3,55 bilhões.

Na abertura do leilão, o diretor-geral da ANP, Décio Oddone, pediu desculpas às empresas que se dedicaram a estudar os dois blocos retirados do leilão. “Espero que haja oportunidade para que seja feita [a oferta deles] ainda este ano.”

O presidente da Petrobras, Pedro Parente, considerou o leilão um sucesso, já que a arrecadação estimada em bônus era de R$3 bilhões. A estatal arrematou apenas um bloco sozinha, na Bacia Potiguar. Nesta mesma bacia, ficou com outros dois blocos em consórcio com a Shell. No total, a estatal arrematou sete blocos, seis deles em parceria com outras gigantes do setor.

“Olha, certeza (sobre se o leilão poderia se melhor) não existe. Mas certamente as áreas que ficaram tinham boas perspectivas, principalmente em razão dos ágios. Houve disputa grande entre empresas de porte mundial, fortes, de primeira linha, que concorreram e avaliaram essas áreas com boas perspectivas”, disse o executivo, destacando que o leilão seguiu regras usadas no mundo todo.

De acordo com Parente, as previsões de que exploração em águas profundas ainda exercem grande atratividade no mercado de óleo e gás foram comprovadas. “É um setor que continua muito produtivo, mesmo no contexto que se tem hoje no Estados Unidos, em áreas terrestres.”

O Presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), Jorge Camargo, também comemorou o saldo do leilão. Segundo ele, o resultado da oferta de blocos marítimos “mostra que o Brasil voltou a ser um dos principais destinos para investidores globais”.

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